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História Moderna

GIOVANNI LEVI – Três histórias de família: os núcleos parentais (FICHAMENTO)

LEVI, Giovanni. “Três histórias de família: os núcleos parentais”. In: Giovanni Levi. A herança imaterial. Trajetória de um exorcista no Piemonte do século XVII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, 87-130.

  • “Qualquer pesquisa prosopográfica sobre uma população pequena e anônima deve desistir da ideia de totalidade e não pode acompanhar seus atores para além da quantidade mais condensada de documentos”. (p. 89)
  • “Está tudo nos documentos, ou seja, os nascimentos, as mortes, os casamentos, as compras, as falências, os sucessos, as relações com os senhores feudais, as tempestades, as colheitas, os homicídios, os ferimentos e as passagens dos soldados”. (p. 90)
  • “Santena se encontrava a sudeste de Turim, a menos de vinte quilômetros da capital, e a menos de oito de Chieri, comarca dentro da qual ela se encontrava, pelo menos em nível administrativo”. (p. 91)
  • “Este é um dado pouco indicativo, devido à incerteza das fronteiras de uma comunidade sem uma autonomia administrativa definida, e se torna impossível estabelecer quais foram as famílias dos indivíduos que entraram no cálculo”. (p. 92)
  • “Os zelosos funcionários encarregados desse levantamento encontraram uma resistência provavelmente violenta e tiveram que recorrer a meios indiretos para calcular a população de Santena”. (p. 93)
  • “Essa fluidez de Santena, a incerteza sobre sua verdadeira dimensão, a escassez e imprecisão dos dados estão bem de acordo com as características políticas e jurisdicionais deste lugarejo”. (p. 94)
  • “É muito difícil reconstruir a propriedade de cada um, já que eram registradas em cadastros numerosos e heterogêneos de comunidades diferentes e lavrados separadamente ao longo do século XVII”. (p. 95)
  • “Como em qualquer sociedade, a definição ambígua das instituições nos leva à análise de seu funcionamento real e ao exame concreto dos comportamentos”. (p. 96)
  • “Existe, por parte dos historiadores, uma tendência quase instintiva a procurar seguranças demonstrativas em dados quantitativos, em tipologias e em modelos formais simplificados que comparam situações longínquas através de semelhanças ou diferenças cujas causas permanecem fugazes”. (p. 97)
  • “Podemos supor que grande parte das transformações reais não deva ser procurada na estrutura interna da família, difusa ou nuclear, que permaneceu formalmente igual, ao longo dos séculos, como que indiferente às profundas transformações econômicas, políticas e religiosas”. (p. 98)
  • “Examinaremos três histórias de arrendatários que formavam, como veremos, o grupo social no qual os fatos estratégicos se realizavam de forma mais simples e bem acabada e serviam de base ao comportamento e ao sistema de valores de todos os habitantes de Santena do fim do século XVII”. (p. 99)
  • “A força da estratégia econômica deste grupo consanguíneo estava exatamente na separação das residências e na unidade dos negócios”. (p. 100)
  • “Nenhum dos problemas familiares havia diminuído a velocidade de acúmulo de propriedades, que, ao que parece, era um objetivo essencial da sua estratégia”. (p. 102)
  • “Chegamos, assim, aos anos 90. Este foi o momento principal da história de Giovan Battista Chiesa, e foram, também, anos de crises dramáticas: a guerra, as más colheitas e o mau tempo, que durou seis anos consecutivos, assolaram os campos”. (p. 103)
  • “A dificuldade em generalizar tipologias comportamentais, do tipo das que foram aqui descritas, deriva exatamente do fato de que as formas concretas e atuantes de organização não são pré-constituídas para além do esquema geral do pensamento que delimitas as expectativas e os objetivos”. (p. 104)
  • “O mundo mental no qual teve lugar a pregação de Chiesa era o de uma sociedade à procura de segurança. A melhoria econômica era um objetivo subordinado à ampliação e confirmação as relações sociais sobre as quais se fundavam as necessidades de subsistência”. (p. 105)
  • “A homogeneidade entre os arrendatários era um dado de fato: pelas condições, pela cultura, por pertencerem à companhia Corpus Domini, pela mesma técnica agrária utilizada, diferente, em suas dimensões, daquela terra em propriedade pelo mesmo tipo perfeito de lavoura múltipla e pela presença de instrumentos de trabalho e animais de melhor qualidade”. (p. 106)
  • “O prestígio dos arrendatários perante a comunidade era bem alto”. (p. 107)
  • “A terra em propriedade era um refúgio que tornava possível, e ao mesmo tempo necessária, a colaboração entre núcleos conjugais de irmãos”. (p. 108)
  • “No Piemonte e em outras áreas da Itália norte-ocidental o colonato teve um destino diferente, tendo sido, desde o século XVIII, frequentemente substituído por formas de administração assalariada, talvez como uma consequência importante desta diversidade nas relações de força” (p. 109)
  • “A família, entendida como um conjunto de parentes e aliados, não se estruturou de forma uniforme, com indivíduos que gozassem de deveres e direitos iguais, e sim como um conjunto diferenciado e hierarquizado, muito embora bastante coeso”. (p. 110)
  • “A diversificação das atividades e a sua inserção em uma estratégia mais ampla misturaram a administração econômica com as relações sociais, criando interligações muitas vezes complexas” (p. 112)
  • “Este quadro de garantias, fidelidades e proteções era, portanto, um elemento importante da administração da terra e do caráter ambíguo das relações sociais verticais”. (p. 113)
  • “A história dos Perrone foi, em vários pontos, confirmada pela dos Cavagliato e corre o risco de insinuar, sob uma luz um tanto simplificada, que existia um modelo que, embora complexo, era sempre vitorioso”. (p. 114)
  • “Este era o costume; todos os contratos de arrendamento previam uma cláusula a encargo dos arrendatários, que estabelecia o aluguel dos prados”. (p. 116)
  • “Uma morte, porém, traz sempre um novo momento de devolução de bens, que, para deixar a situação ainda mais difícil, implica o saneamento de dívidas deixadas em suspenso durante muitos anos e que dizem respeito à família do marido”. (p. 117)
  • “Uma vez adquirida uma certa quantidade de terra, diretamente cultivável, sem a necessidade de servos ou assalariados, e suficiente para a sobrevivência, Maria encontrou uma outra forma de investimento, seguindo sempre a regra da diversificação das atividades e das fontes de renda: o empréstimo de dinheiro”. (p. 118)
  • “Os testamentos não representavam, portanto, como muitas vezes se pensa, um reflexo da prática automática da devolução dos bens, mas sim o explícito desejo de restringir apenas aos homens o acesso às propriedades”. (p. 119)
  • “Os arrendatários, dada sua política de parentela e de propriedade em geral, fazem um testamento, em presença dos irmãos, como se fosse um pacto de família, mesmo muito tempo antes de morrerem, no momento em que a organização patrimonial estivesse consolidada”. (p. 120)
  • “A aliança entre famílias não-co-residentes, ligadas, na maioria dos casos, por laços de consanguinidade em linha masculina, é um elemento fundamental para o equilíbrio das relações contratuais externas”. (p. 121)
  • “Não existiu, portanto, uma especialização profissional e social de toda a família, e sim uma diversificação que foi mais ou menos acentuada de acordo com os recursos econômicos, demográficos e sociais disponíveis”. (p. 122)
  • “A quantidade de terra em propriedade é sempre relativamente pequena, mas pode existir um limite demográfico além do qual se tornem convenientes outros empregos do dinheiro, como a qualificação profissional de um membro da família (mas este não é o caso dos arrendatários), ou a concessão de empréstimos”. (p. 123)
  • “A endogamia de grupo é estrita, em função de um comportamento rígido do ponto de vista da dependência de cada um em relação a uma política coesa, onde os papéis e os comportamentos são amplamente predeterminados”. (p. 124)
  • “As estruturas fundamentais da comunidade são definidas, portanto, no contexto de uma série de relações não-rígidas”. (p. 125)
  • “As escolhas econômicas estão subordinadas ao mundo social, às relações de parentesco, de aliança e de clientela que devem ser mantidas sob controle, antes de tudo, como garantia de cada escolha e de cada atividade”. (p. 126)

COMENTÁRIOS

Antes de mais nada, deixar claro ao leitor que a escolha das passagens aqui transcritas nada tem a ver com a identificação da estrutura textual do capítulo. O leitor atento perceberá que as notas foram retiradas uma por cada página do capítulo. Uso deste artifício para obter uma visão geral do texto, selecionando de cada página aquela passagem que mais me chamou a atenção.

Veja também outros fichamentos.

Sobre Vinicius Gregory

Sou bacharel e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). Hoje trabalho na área de vendas. Represento a Oceanic, uma marca de cosméticos produzidos pela Racco, sediada em Curitiba/PR. A Oceanic oferece boa margem de lucro na revenda de seus produtos e ótimos incentivos na recomendação de novos consumidores e revendedores. Para criar sua conta na Oceanic e passar a consumir ou revender os produtos, basta acessar o link: http://escritorio.oceanic.com.br/u/vgregory

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Sou bacharél e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). E agora estou cursando o mestrado, também em história, também na UnB. Desenvolvo minhas pesquisas na área de história da América.

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