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Teoria da História

REVEL – Cultura, culturas: uma perspectiva historiográfica (FICHAMENTO)

REVEL, Jacques. “Cultura, culturas: uma perspectiva historiográfica” In: Jacques Revel. Proposições. Ensaios de história e historiografia. Rio de Janeiro: Ed. UERJ, 2009, 97-137.

  • “Todos sabem disso: há uma geração, a história cultural ocupou um lugar dominante na produção histórica”. (p. 97)
  • “Vale refletir sobre o que significou essa perda de confiança no poder dos grandes paradigmas unificadores e integradores”. (p. 98)
  • “Toda uma série de debates foi assim aberta em torno dos objetos sobre os quais trabalhamos e sobre os instrumentos conceituais de que dispomos para tentar apreendê-los”. (p. 99)
  • “Redefinição da noção de cultura, ou antes, daquilo que os historiadores colocam sob este termo”. (p. 100)
  • “É verdade que, desde os anos 1960 e, principalmente, dos anos 1970, a antropologia, de qualquer maneira que ela seja concebida e sejam imaginadas suas relações com a história, foi protagonista recorrente, em certos momentos quase obsessivamente, na cena historiográfica”. (p. 101)
  • “Hoje a lição da antropologia conduz os historiadores a não se encerrarem na singularidade, a fazerem da comparação o fundamento de uma generalização possível”. (p. 102)
  • “Em sua perspectiva, que era a de ma história da realização do espírito por si próprio, a filosofia identificou uma série de figuras, de experiências e de realizações coletivas homólogas cujas aventuras Hegel retraçava em A fenomenologia do espírito“. (p. 103)
  • “Não nos referimos à grandiosa  arquitetura do filósofo, mas continuamos a pensar em termos de épocas, de séculos, de culturas no sentido holístico e dialético do termo”. (p. 104)
  • “É necessário acabar, ao mesmo tempo, com a ideia de um princípio unificador das produções no interior de uma cultura, acabar com a ideia de que uma cultura é necessariamente um todo coerente e significativo em sua coerência, acabar com o método exegético vinculado a essas concepções para fazer de traços sinaléticos de uma cultura uma questão, não um ponto de partida, não uma certeza, mas um problema de história”. (p. 105)
  • “Sem dúvida, não aderimos mais à leitura hegeliana da história. Mas os historiadores conservaram de bom grado sua concepção holística das culturas”. (p. 106)
  • “Eve-se dizer que a noção de mentalidade proporcionou um status cultural a realidades, a tipos de enunciados, tidos até então como ilegítimos e, digamos, sem interesse”. (p. 107)
  • L. Febvre “acreditou na possibilidade de uma psicologia coletiva histórica, e, até mesmo, mais além, no que poderíamos chamar de uma história das condições de pensamento”. (p. 108)
  • “Não se poderia surpreender-se com isso quando se conhece a proximidade existente entre esses historiadores e o movimento durkheimiano, por um lado, as ligações que eles mantiveram desde cedo com historiadores das ciências de formação filosófica como R. Lenoble e, sobretudo, Alexandre Koyré”. (p. 109)
  • “Convém lembrar que, nesses mesmo anos, Freud (que os pioneiros da história das mentalidades certamente não haviam lido e que, sem dúvida, não estavam preparados para ler) indagava-se, a partir de exemplos históricos, sobre o ‘mal-estar da civilização'”. (p. 110)
  • “Cassirer lançava as bases de uma teoria semiótica da cultura ao mesmo tempo em que propunha uma hipótese de trabalho forte para analisar os fenômenos de incorporação, de partilha e de transmissão de representações culturais”. (p. 111)
  • “Essa abordagem holística, que coloca como princípio a existência de uma cultura como um conjunto coerente e distinto, foi paradoxalmente renovada pela reabordagem relativamente recente, desde os anos 1960, de história e antropologia”. (p. 112)
  • “Ainda é sem verdadeira surpresa nesse caso, visto que o procedimento estruturalista propõe-se precisamente a distinguir as relações sintáxicas e formais estáveis que existem entre as unidades semânticas de uma série de enunciados”. (p. 113)
  • “Junto com Sahlins, Clifford Geertz é sem dúvida o antropólogo mais frequentemente invocado pelos historiadores há uma boa geração”. (p. 114)
  • Ernst Gombrich “considera mais fecundo procurar identificar os fenômenos de disjunção ou de recusa”. (p. 115)
  • “Mais do que caracterizar um momento, um movimento, por meio de um tipo ideal, ele sugere levar em conta o conjunto de formas de participação e de níveis de identificação, que afetam os atores de modo desigual e que devem ser distinguidos e comparados, caso se queira compreender melhor a maneira como efetivamente são construídas as identidades culturais”. (p. 116)
  • “A primeira dessas respostas foi a de uma sociografia das práticas culturais que passava pela análise de distribuições dos comportamentos e das consumações, mais raramente das produções, no interior de um dado conjunto social”. (p. 117)
  • “A investigação propunha um modelo: aquele que tentava fazer corresponder ponto por ponto os traços culturais específicos às diversas classificações produzidas para explicar a organização geral do mundo social”. (p. 118)
  • “Nos anos 1950-60, os grandes modelos funcionalistas anteriormente invocados por mim não implicavam que fossem invocados para explicar o que acontece no mundo social”. (p. 119)
  • “A história econômica e social, a das mentalidades, a sociologia da reprodução e a crítica institucional, a antropologia social – a maioria das práticas eruditas destes anos, portanto -, propuseram durante muito tempo esquemas desse tipo que pareciam então impor sua evidência”. (p. 120)
  • “Esta volta à consideração dos atores e do que eles fazem, de sua maneira de agir, muitas vezes foi acompanhada, como se sabe, de uma redução do campo de observação, que poderia parecer justificada a partir do momento em que se optasse por não mais pensar o mundo social como uma totalidade abrangente”. (p. 121)
  • Roger Chartier “passou a levar em conta formas de apropriação que, ao mesmo tempo, qualificam os objetos culturais e diferenciam públicos ou comunidades de leitores”. (p. 122)
  • “Furet e Ozouf estiveram em condição de identificar diferentes formas de acesso à escrita, mas, sobretudo, em vez de considerar a alfabetização como um processo inelutável e, de algum modo, autorealizável, ou mesmo como o fim lógico e necessário da progressiva generalização da instituição escolar, eles procuraram valorizar o papel da demanda social de instrução para a base”. (p. 123)
  • “Os historiadores aventuram-se com menos frequência que antes a analisar as totalidades culturais”. (p. 124)
  • “A ambição do livro não é mais a de oferecer uma imagem global de uma entidade social compreendida como uma (indemonstrável) unidade, mas de compreender aspectos relevantes de uma transformação histórica por intermédio da localização de formas de diferenciação e de descontinuidade significativas”. (p. 125)
  • “Quer trate-se das formas de agregação social e de sua dinâmica, ou ainda das razões que os atores sociais se dão para agir, as transformações inscrevem-se em planos diferentes e que o historiador deve respeitar”. (p. 126)
  • “Renuncia-se a analisar as produções e representações culturais como expressões de um conjunto coerente (civilização, cultura, mentalidade, Weltanschauung, estrutura etc.), para inscrevê-los em uma dimensão pragmática, ou seja, também relacional, coloca-se imediatamente mais ênfase, como vimos, nas diferenciações do que na suposta unidade dessas manifestações”. (p. 127)
  • “Mas seu interesse essencial é, sem dúvida, o de retranscrever – na verdade, representar – situações, isto é, as relações entre protagonistas cujas posições são diferentes”. (p. 128)
  • “Começou-se a reconhecer as formas de coexistência entre cultura feminina, por muito tempo subordinada, e cultura masculina – embora, por razões evidentes, o estudo continue a ser conduzido de modo separado”. (p. 129)
  • “O sociólogo Pierre Bourdieu propôs uma teoria do ‘campo’ para explicá-las, isto é, a identificação de espaços específicos de interdependência entre os atores”. (p. 130)
  • “Bourdieu mostra realmente que as práticas culturais têm sua própria eficácia. Elas são por si próprias ‘classificadoras’, elas produzem distinção social e contribuem, portanto, na produção do mundo social, simultaneamente por meio do repertório de objetos que elas visam e pela maneira como utilizam esse repertório e esses objetos”. (p. 131)
  • “O que depende para Elias de uma ‘sociogênese’, isto é, da dinâmica das relações sociais, se redobra de uma ‘psicogênese’, isto é, da interiorização de normas que regulam o jogo em um dado momento do tempo (a proximidade é evidente com o conceito de habitus que Bourdieu desenvolverá mais tarde)”. (p. 132)
  • “Um último tema que atravessa a reflexão e os debates dos historiadores parece girar em torno da noção de contexto, mais exatamente das ligações que é possível construir entre um ‘texto’ e seu ‘contexto'”. (p. 133)
  • “É basicamente no trabalho de negociação com o contexto no qual se inscreve, que um texto (ou uma obra) adquire, ao mesmo tempo, forma e sentido para – e por intermédio de – os diferentes ‘agentes’, atores, leitores, comentaristas que, a títulos diversos, dizem respeito a ele”. (p. 134)
  • “Invariavelmente, o confronto entre os textos e as reações de Menocchio conduz a postulação de uma chave de leitura que ele obscuramente possuía, e que as ligações com um e outro grupo herético não era suficiente para explicar”. (p. 135)
  • “O que a reflexão conduzida coletivamente pelos historiadores há uma geração parece sugerir é que a concepção de um contexto global e englobante, tão facilmente aceita sob formas diversas durante muito tempo, não é mais reconhecida como uma resposta aceitável, pois ela é geral demais, indiferenciada demais para ser operatória”. (p. 136)

COMENTÁRIOS

Antes de mais nada, deixar claro ao leitor que a escolha das passagens aqui transcritas nada tem a ver com a identificação da estrutura textual do capítulo. O leitor atento perceberá que as notas foram retiradas uma por cada página do capítulo. Uso deste artifício para obter uma visão geral do texto, selecionando de cada página aquela passagem que mais me chamou a atenção.

Veja também outros fichamentos.

Sobre Vinicius Gregory

Sou bacharel e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). Hoje trabalho na área de vendas. Represento a Oceanic, uma marca de cosméticos produzidos pela Racco, sediada em Curitiba/PR. A Oceanic oferece boa margem de lucro na revenda de seus produtos e ótimos incentivos na recomendação de novos consumidores e revendedores. Para criar sua conta na Oceanic e passar a consumir ou revender os produtos, basta acessar o link: http://escritorio.oceanic.com.br/u/vgregory

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Quem sou eu


Sou bacharél e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). E agora estou cursando o mestrado, também em história, também na UnB. Desenvolvo minhas pesquisas na área de história da América.

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