//
Você está lendo...
Teoria da História

RÜSEN – Objetividade e narratividade nas ciências históricas (FICHAMENTO)

RÜSEN, Jörn. “Objetividade e narratividade nas ciências históricas”. História Revista, v. 4, n. 1, 1996, 75-102.

  • “‘Narratividade’ e ‘objetividade’ parecem ser caracterizações contraditórias dos estudos históricos”. (p. 75)
  • “‘Objetividade’ significava, pois, a validade geral do conhecimento histórico, baseada na relação com a experiência do passado e na racionalidade do tratamento cognitivo dessa experiência”. (p. 76)
  • “A situação presente dos estudos históricos caracteriza-se por uma relação pouco clara: de um lado, há a limitação metahistórica da narratividade como princípio do pensamento histórico, que dificulta, logicamente, qualquer objetividade científica na representação do passado como história; de outro lado, existem as atitudes e os procedimentos acadêmicos bem estabelecidos dos historiadores profissionais, que os habilitam a realizar o trabalho de pesquisa e historiográfico em obediência imediata à racionalidade metódica. É esta racionalidade do método que dota, com a pretensão de objetividade, o conhecimento que se obteve pela pesquisa e que se apresenta como historiografia”. (p. 78)
  • “Objetividade fixa um limite à interpretação histórica. Ela é um critério de validade que torna o pensamento histórico e a historiografia plausíveis, isto é, uma certa forma de pretensão de verdade, intimamente relacionada com a racionalização do pensamento histórico e com seu caráter acadêmico, para não dizer científico”. (p. 79)
  • “A história é vista como um vetor de orientação da vida humana, e o historiador é o especialista na experiência acumulada nos arquivos da memória coletiva”. (p. 80)
  • “Começou nesse momento [séc. XVIII] sua modernização, causada pela aplicação de dois princípios: (a) uma nova categoria de história, entendida agora como uma mudança temporal abrangente do mundo humano, incluindo virtualmente o presente e o futuro, e (b) a racionalidade do método como estratégia cognitiva ao lidar com a experiência do passado”. (p. 81)
  • “História é a realidade temporal do mundo humano, é a conexão interna das mudanças temporais, previamente dadas no modo de experiência dos historiadores. O historiador, em sua historiografia, tem de representar essa estrutura histórica do mundo humano, previamente dada”. (p. 82)
  • “Humboldt defende a pretensão de objetividade em sua concepção historicista, como ‘fusão’ entre o intelecto investigador e o objeto investigado”. (p. 83)
  • “O conhecimento histórico, dotado de sua pretensão de objetividade, poderia funcionar como orientação cultural para a vida prática – sobretudo política: ele produz uma perspectiva do futuro em função da mudança temporal do passado e a identidade coletiva do grupo a que se dirige, enquanto baseada nas forças ativas constitutivas da história humana”. (p. 84)
  • “Mesmo no contexto da concepção objetivista da cognição histórica, sempre se esteve consciente dos elementos constitutivos da subjetividade, em oposição ao caráter meramente reificado da história”. (p. 85)
  • “A ideia de que a objetividade é constituída pela parcialidade obedece a uma filosofia idealista da história, que identifica as forças mentais em ação no interesse histórico dos historiadores com as forças mentais da atividade humana, que constituem a história como realidade temporal da vida humana”. (p. 86)
  • “A garantia do objetivismo é a crítica das fontes, e a do subjetivismo é o engajamento do historiador na luta política pela identidade coletiva, no campo da rememoração histórica”. (p. 87)
  • “A abordagem objetivista perdeu sua credibilidade”. (p. 88)
  • “Narratividade é um conceito que explica a relação constitutiva do pensamento histórico para com as práticas culturais da memória e identidade coletivas”. (p. 89)
  • “Com sua retrospectividade, perspectividade, seletividade e particularidade, o conhecimento histórico faz parte do discurso cultural pelo qual a diferença e a distinção são produzidas como resultantes essenciais da orientação cultural no mundo humano”. (p. 90)
  • “Há um termo, no discurso recente da metahistória, que indica o recuo da objetividade no campo dos estudos históricos (pelo menos na perspectiva da reflexão metahistórica sobre seus princípios constitutivos): ficcionalidade“. (p. 91)
  • “‘ficcionalidade’ assinala ainda o estatuto ontológico e epistemológico daqueles elementos do conhecimento histórico e da historiografia que não proveem diretamente da facticidade pura da informação das fontes”. (p. 92)
  • “Objetividade significa uma relação constitutiva do pensamento histórico para com a experiência; existe algo na construção narrativa chamada ‘história’ que não pode ser inventado, pois é previamente dado e tem de ser reconhecido como tal pelos historiadores”. (p. 93)
  • “‘Objetividade’ inclui até mesmo o lado ‘subjetivo’ da interpretação histórica: ela significa um modo da própria subjetividade, ou seja, a validade intersubjetiva de uma interpretação histórica”. (p. 94)
  • “Não se deve negligenciar, todavia, que existem ao menos alguns critérios racionais inegáveis de intersubjetividade que garantem a consistência de uma narrativa histórica“. (p. 95)
  • “Os processos mentais criativos da narratividade histórica adquirem a qualidade de estrutura narrativa e submetem a espontaneidade racional ao controle da evidência empírica, da coerência lógica e do vigor explanatório, no jogo da produção histórica de sentido”. (p. 96)
  • “A coerência prática é a qualidade da narrativa histórica que lhe confere plausibilidade quanto à função prática que ela tem na orientação cultural da vida concreta”. (p. 97)
  • “Para a finalidade de construção da identidade pela memória histórica, porém, essa categoria da intersubjetividade é totalmente insuficiente”. (p. 98)
  • “A pluralidade de pontos de vista e de perspectivas não deve ser considerada um entrave à objetividade, mas sua realização no que diz respeito às necessidades da coerência prática”. (p. 99)
  • “Essa repercussão da experiência histórica reveste a intersubjetividade, como coerência prática e teórica das narrativas históricas, da qualidade adicional de objetividade, no sentido de garantir uma relação verossímil com a experiência”. (p. 100)
  • “A pretensão de objetividade efetivada no procedimento acadêmico da cognição histórica é pensada, amiúde, como exalando um certo odor de mofo”. (p. 101)

COMENTÁRIOS

Antes de mais nada, deixar claro ao leitor que a escolha das passagens aqui transcritas nada tem a ver com a identificação da estrutura textual do capítulo. O leitor atento perceberá que as notas foram retiradas uma por cada página do capítulo. Uso deste artifício para obter uma visão geral do texto, selecionando de cada página aquela passagem que mais me chamou a atenção.

Veja também outros fichamentos.

Sobre Vinicius Gregory

Sou bacharel e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). Hoje trabalho na área de vendas. Represento a Oceanic, uma marca de cosméticos produzidos pela Racco, sediada em Curitiba/PR. A Oceanic oferece boa margem de lucro na revenda de seus produtos e ótimos incentivos na recomendação de novos consumidores e revendedores. Para criar sua conta na Oceanic e passar a consumir ou revender os produtos, basta acessar o link: http://escritorio.oceanic.com.br/u/vgregory

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Página no Facebook

Estatísticas do Blog

  • 85,328 Acessos

Quem sou eu


Sou bacharél e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). E agora estou cursando o mestrado, também em história, também na UnB. Desenvolvo minhas pesquisas na área de história da América.

%d blogueiros gostam disto: