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História da América, História do Brasil, História do Chile, Independência, Independência, Período Colonial, Período Colonial

HALPERIN DONGHI – A crise da independência (FICHAMENTO)

DONGHI, Tulio Halperin. História da América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975. Capítulo 2, A crise da independência.

  • “A luta pela independência seria um momento da luta por um novo pacto colonial, o qual, garantindo o contato direto entre os produtores da América espanhola e aquela que se torna cada vez mais a nova metrópole econômica, permita um mais amplo acesso ao mercado de ultramar e conceda uma cota menos reduzida do preço pago pelos seus produtos.” (p. 47)
  • “Tanto a hostilidade contra os peninsulares favorecidos na carreira administrativa (e na eclesiástica e militar), quanto a oposição a crescente centralização, eram apenas um aspecto das reações provocadas na colônia pelo influxo crescente de uma metrópole em fase de renovação.” (p. 48)
  • “As rebeliões, mais que indicar a presença de novos elementos premonitórios da crise, revelam a persistência de debilidades estruturais, cujas consequências haveriam de se tornar cada vez mais evidentes na nova fase de desagregação que se aproximava.” (p. 49)
  • “Na América espanhola, a crise da independência é a consequência da desagregação do poder espanhol, iniciada por volta de 1795 e que assume um ritmo cada vez mais intenso.” (p. 50)
  • “A corrosão dos vínculos entre metrópole e colônias, no que se refere às relações administrativas, se fará sentir mais tardiamente do que no campo econômico, mas terá um ritmo bem mais rápido.” (p. 51)
  • “Em 1806, as guerras napoleônicas assestam um primeiro golpe grave no domínio espanhol nas Índias; em 1810, diante dos novos elementos que parecem assinalar a inevitável ruína da metrópole, a revolução explode desde a Cidade do México até Buenos Aires.” (p. 52)
  • “No Chile, em 1808, morto o governador Muñoz de Guzmán, os nativos apoiam o comandante da guarnição, coronel García Carrasco, contra o presidente da audiência, conseguindo nomeá-lo governador provisório. Juan Martínez de Rosas, líder intelectual dos nativos chilenos, será por algum tempo secretário do coronel. García Carrasco terminará por se libertar de seus incômodos conselheiros, os quais, nesse meio tempo, haviam modificado a estrutura do cabildo de Santiago, com o objetivo de afirmar por esse meio a própria autoridade e garantir o predomínio numérico dos nativos. Martínez de Rosas é confinado no sul, mas o golpe recebido pela organização colonial no Chile não pode ser reparado: o governador, a audiência, o cabildo continuam a lutar encarniçadamente, ao mesmo tempo em que a estrutura do instituto monárquico espanhol salta aos pedaços…” (p. 53)
  • “No colapso da ordem colonial, os verdadeiros pontos de dissídio eram as futuras relações da metrópole com as Índias e o lugar que nelas deveria caber aos peninsulares.” (p. 54)
  • “O problema da posição dos peninsulares na América espanhola tornava-se cada vez mais agudo: as revoluções se haviam iniciado com a tentativa das oligarquias urbanas de substituir os espanhóis no poder político.” (p. 55)
  • “Os revolucionários não se consideravam rebeldes, mas herdeiros de um poder caído, provavelmente para sempre, não existe, nenhuma razão para ressaltar as divergências com um aparato político e administrativo que já se considera como próprio e que se tende a utilizar para os próprios fins.” (p. 56)
  • “As elites nativas não parecem perceber até que ponto a sua ação deu início à destruição do sistema colonial, do qual consideravam-se herdeiras.” (p. 57)
  • “Os nativos do Alto Peru vêem os seus interesses se identificar, ainda mais do que antes, com a causa do rei, ao mesmo tempo em que se revela difícil obter a mobilização política dos índios.” (p. 58)
  • “Diante da ameaça constituída pelo Peru, o Chile – que relutava em assumir atitudes revolucionárias – teve de criar um exército, fato que viria a pesar cada vez mais nos futuros acontecimentos políticos.” (p. 60)
  • “No início de 1813, tropas do Peru desembarcam no Chile meridional, onde o novo regime jamais fora reconhecido, e iniciam a luta contra a revolução.” (p. 61)
  • Bolívar “adotou o novo estilo de guerra introduzido pela segunda revolução venezuelana, codificando-a a 15 de junho de 1813, ao decretar a guerra de vida ou morte: o extermínio de todos os oriundos da península e das Canárias que viessem a cair sob a vingança revolucionária.” (p. 62)
  • “A confederação das províncias unidas, utilizando os serviços de Bolívar, conquistou Bogotá, estabelecendo um governo nessa cidade, o qual, porém, não conseguiu fazer-se obedecer em toda a zona revolucionária da Nova Granada.” (p. 63)
  • “A liberdade de comércio significa, para empresários e comerciantes ingleses, uma vertiginosa conquista das estruturas mercantis, bem como a possibilidade de lançar sobre a América espanhola os excedentes de uma produção que perdeu os mercados da Europa continental.” (p. 64)
  • “A historiografia tradicional da América Latina, mais que explicar a reforma revolucionária, prefere a tarefa inesgotável de cantar a grandeza dos semidivinos heróis fundadores, e nisso não se equivoca inteiramente: a figura dos organizadores da vitória constitui, na realidade, uma das chaves para compreender precisamente essa vitória.” (p. 65)
  • “Os dirigentes da Espanha após a Restauração não pareciam perceber as dificuldades da tarefa que, por obstinação, haviam assumido: restituir à Espanha e aos seus territórios de ultramar o antigo regime lhes parecia um objetivo justo e facilmente alcançável.” (p. 66)
  • “Os Estados Unidos, que depois da aquisição da Flórida espanhola (1822) não tinham mais motivos para resguardar-se diante da Espanha de Fernando VII, alinhavam-se abertamente com a política britânica: a doutrina Monroe, adotada em dezembro de 1823, declarava – entre outras coisas – a oposição da América do Norte à reconquista da América espanhola pela Europa da Restauração.” (p. 67)
  • “A queda da primeira revolução chilena fez de Mendoza um centro de refugiados, ligado aos preparativos de um novo plano para o ataque à fortaleza monárquica peruana.” (p. 68)
  • “No empreendimento chileno de San Martín, a ajuda das províncias do Rio da Prata não foi mais importante que aquela obtida da província de Cuyo, cuja economia fora utilizada para a preparação do exército.” (p. 69)
  • “Foi constituído um governo autônomo no Peru, tendo San Martín como protetor. Esse governo revelou-se o mais conservador de todos quantos se formaram na atmosfera de hostilidade à política radical, atmosfera imperante após 1815.” (p. 70)
  • “Bolívar jamais perdoou a Bonaparte ter traído a república e se ter apropriado da Revolução para glória e proveito pessoais, mas compreendeu muito bem até que ponto a evolução da França republicana em sentido militarista e autoritário estava inscrita nos próprios acontecimentos.” (p. 71)
  • “Em 1817, Bolívar já era um veterano da revolução. Seu grande patrimônio fora inteiramente consumido no movimento patriótico; mas Bolívar era o único líder em escala nacional, em contraste com os vários líderes regionais, surgidos em grande número no curso das repetidas insurreições venezuelanas.” (p. 72)
  • “A modernização social era obstaculizada pela resistência da Igreja e dos grupos favorecidos pela velha ordem: desde os proprietários de escravos do litoral venezuelano, que certamente não apoiavam a emancipação dos negros (contida no programa da nova república), até os grandes comerciantes e os pequenos artesãos, unidos na luta contra a liberalização do comércio, que significava para eles um sacrifício ao predomínio britânico.” (p. 73)
  • “O destino da Colômbia, desde o início, revelou-se de modo claro: um golpe de Estado autoritário uniria, sob a égide do presidente e libertador, os irrequietos militares venezuelanos e a oposição conservadora de Nova Granada.” (p. 74)
  • “A constituinte de 1822 acolhera imediatamente a renúncia de San Martín e elegera um triunvirato, em dezembro, proclamava a república e desautorizava as conversações iniciadas na Europa com o objetivo de encontrar um rei para por no trono peruano.” (p. 75)
  • “No México, ao contrário, a revolução fora inicialmente uma revolta de índios e mestiços, na qual só muitas décadas depois a nação independente, virá a reconhecer sua própria origem.” (p. 76)
  • José Maria Morelos “organiza forças armadas melhor disciplinadas que as de Hidalgo, elabora um programa político no qual prevê a independência, a supressão das diferenças de casta e a divisão das grandes propriedades.” (p. 77)
  • “A independência [do Brasil] fora conseguida sem luta digna desse nome, com todas as diferenças que derivam desse fato, além daquelas já existentes, no período anterior, entre América portuguesa e América espanhola; e, apesar disso, a história do Brasil independente foi agitada (e às vezes com violência) pelos mesmos problemas de fundo existentes nos novos Estados da América espanhola.” (p. 78)
  • “Embora sob alguns aspectos – por exemplo, na emigração da metrópole para a colônia – a aproximação fosse bem maior que no resto da América Latina, inexistia aqui o predomínio de uma nova elite administrativa e mercantil de origem peninsular sobre as hierarquias locais formadas em épocas anteriores.” (p. 79)
  • “A ruptura foi acelerada, ainda mais, pela difusão de correntes republicanas no Brasil e pela tendência da maioria do parlamento português a fazer com que a colônica voltasse a uma situação verdadeiramente colonial, ainda que mascarada por uma união das províncias europeias e americanas, essas últimas representadas parcamente no governo central.” (p. 80)

COMENTÁRIOS

Antes de mais nada, deixar claro ao leitor que a escolha das passagens aqui transcritas nada tem a ver com a identificação da estrutura textual do capítulo. O leitor atento perceberá que as notas foram retiradas uma por cada página do capítulo. Uso deste artifício para obter uma visão geral do texto, selecionando de cada página aquela passagem que mais me chamou a atenção.

Ademais, quem quiser pode conferir o meu resumo de HALPERIN DONGHI – A crise de independência.

Veja também outros fichamentos.

Sobre Vinicius Gregory

Sou bacharel e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). Hoje trabalho na área de vendas. Represento a Oceanic, uma marca de cosméticos produzidos pela Racco, sediada em Curitiba/PR. A Oceanic oferece boa margem de lucro na revenda de seus produtos e ótimos incentivos na recomendação de novos consumidores e revendedores. Para criar sua conta na Oceanic e passar a consumir ou revender os produtos, basta acessar o link: http://escritorio.oceanic.com.br/u/vgregory

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Quem sou eu


Sou bacharél e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). E agora estou cursando o mestrado, também em história, também na UnB. Desenvolvo minhas pesquisas na área de história da América.

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