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Ciências Econômicas

KARL MARX – A mercadoria (FICHAMENTO)

MARX, Karl. O capital. Livro 1, O processo de produção do capital. Vol. I. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968. Capítulo 1, A mercadoria.

  • “A mercadoria é, antes de mais nada, um objeto externo, uma coisa que, por suas propriedades, satisfaz necessidades humanas, seja qual for a natureza, a origem delas, provenham do estômago ou da fantasia”. (p. 41)
  • “A utilidade de uma coisa faz dela um valor-de-uso. (…) Esse caráter da mercadoria não depende da quantidade de trabalho empregado para obter suas qualidades úteis. (…) O valor-de-uso só se realiza com a utilização ou o consumo”. (p. 42)
  • “O valor-de-troca revela-se, de início, na relação quantitativa entre valores-de-uso de espécies diferentes, na proporção em que se trocam, relação que muda constantemente no tempo e no espaço”. (p. 43)
  • “Como valores-de-uso, as mercadorias são, antes de mais nada, de qualidade diferente; como valores-de-troca, só podem diferir na quantidade, não contendo portanto nenhum átomo de valor-de-uso”. (p. 44)
  • “Um valor-de-uso ou um bem só possui valor porque nele está corporificado, materializado, trabalho humano abstrato. Como medir a grandeza do seu valor? Por meio da quantidade da ‘substância criadora de valor’ nele contida, o trabalho. A quantidade de trabalho, por sua vez, mede-se pelo tempo de sua duração, e o tempo de trabalho, por frações do tempo, como hora, dia etc.” (p. 45)
  • “Tempo de trabalho socialmente necessário é o tempo de trabalho requerido para produzir-se um valor-de-uso qualquer, nas condições de produção socialmente normais, existentes, e com grau social médio de destreza e intensidade do trabalho”. (p. 46)
  • “Quanto maior a produtividade do trabalho, tanto menor o tempo de trabalho requerido para produzir uma mercadoria, e quanto menor a quantidade de trabalho que nela se cristaliza, tanto menor seu valor. Inversamente, quanto menor a produtividade do trabalho, tanto maior o tempo de trabalho necessário para produzir um artigo e tanto maior o seu valor. A grandeza do valor de uma mercadoria varia na razão direta da quantidade, e na inversa da produtividade, do trabalho que nela se aplica”. (p. 47)
  • “O produto, para se tornar mercadoria, tem de ser transferido a quem vai servir como valor-se-uso por meio de troca”. (p. 48)
  • “A divisão social do trabalho é condição para que exista a produção de mercadorias, embora, reciprocamente, a produção de mercadorias não seja condição necessária ara a existência da divisão social do trabalho”. (p. 49)
  • “O trabalho, como criador de valores-de-uso, como trabalho útil, é indispensável à existência do homem, – quaisquer que sejam as formas de sociedade, – é necessidade natural e eterna de efetivar o intercâmbio material entre o homem e a natureza, e, portanto, de manter a vida humana”. (p. 50)
  • “Trabalho humano mede-se pelo dispêndio da força de trabalho simples, a qual, em média, todo homem comum, sem educação especial, possui em seu organismo”. (p. 51)
  • “Se o trabalho contido na mercadoria, do ponto de vista do valor de uso, só interessa qualitativamente, do ponto de vista da grandeza do valor, só interessa quantitativamente e depois de ser convertido em trabalho humano, puro e simples”. (p. 52)
  • “Qualquer que seja a mudança na produtividade, o mesmo trabalho, no mesmo espaço de tempo, fornece, sempre, a mesma magnitude de valor. Mas, no mesmo espaço de tempo, gera quantidades diferentes de valores-de-uso: quantidade maior, quando a produtividade aumenta, e menor, quando ela decai”. (p. 53)
  • “Todo trabalho é, de um lado, dispêndio de força humana de trabalho, no sentido fisiológico, e, nessa qualidade de trabalho humano igual ou abstrato, cria o valor das mercadorias. Todo trabalho, por outro lado, é dispêndio de força humana de trabalho sob forma especial, pra um determinado fim, e, nessa qualidade de trabalho útil e concreto, produz valores-de-uso”. (p. 54)
  • “As mercadorias só encarnam valor na medida em que são expressões de uma mesma substância social, o trabalho humano; seu valor é, portanto, uma realidade apenas social, só podendo manifestar-se, evidentemente, na relação social em que uma mercadoria se troca por outra”. (p. 55)
  • “A forma relativa do valor e a forma de equivalente se pertencem, uma à outra, se determinam, reciprocamente, inseparáveis, mas, ao mesmo tempo, são extremos que mutuamente se excluem e se opõem, pólos da mesma expressão do valor”. (p. 56)
  • “Duas coisas diferentes só se tornam quantitativamente comparáveis depois de sua conversão a uma mesma coisa.” (p. 57)
  • “Só a expressão da equivalência de mercadorias distintas põe à mostra a condição específica do trabalho criador de valor, porque ela realmente reduz à substância comum, a trabalho humano simplesmente, os trabalhos diferentes incorporados em mercadorias diferentes”. (p. 58)
  • “A força humana de trabalho em ação ou o trabalho humano cria valor, mas não é valor. Vem a ser valor, torna-se valor, quando se cristaliza na forma de um objeto”. (p. 59)
  • “Por meio da relação de valor, a forma natural da mercadoria B torna-se a forma do valor da mercadoria A, ou o corpo da mercadoria B transforma-se no espelho do valor da mercadoria A”. (p. 60)
  • “Para expressar o valor de qualquer mercadoria, aludimos sempre a dada quantidade de objeto útil (…). Essa quantidade dada de mercadoria contém uma quantidade determinada de trabalho humano. A forma do valor tem de exprimir não só valor em geral, mas valor quantitativamente determinado ou magnitude de valor”. (p. 61)
  • “A verdadeira variação da magnitude do valor não se reflete, portanto, clara e completa em sua expressão, isto é, na equação que expressa a magnitude do valor relativo. E o valor relativo de uma mercadoria pode variar, embora seu valor permaneça constante. Seu valor relativo pode permanecer constante, embora seu valor varie e, finalmente, não é mister que sejam coincidentes as variações simultâneas ocorrentes na magnitude do valor e na expressão da magnitude do valor relativo”. (p. 63)
  • “A mercadoria assume a forma de equivalente, por ser diretamente permutável por outra”. (p. 64)
  • “Uma vez que nenhuma mercadoria se relaciona consigo mesma como equivalente, não podendo transformar seu próprio corpo em expressão de seu próprio valor, tem ela de relacionar-se com outra mercadoria, considerada equivalente, ou seja, fazer da figura física de outra mercadoria sua própria forma de valor”. (p. 65)
  • “As propriedades de uma coisa não se originam de suas relações com outras, mas antes se patenteiam nessas relações”. (p. 66)
  • “É uma segunda propriedade da forma equivalente, trabalho concreto tornar-se forma de manifestação de seu contrário, trabalho humano abstrato”. (p. 67)
  • “Se disse no começo deste capítulo, que a mercadoria é valor-se-uso e valor-de-troca. Mas isto, a rigor, não é verdadeiro. A mercadoria é valor-de-uso ou objeto útil e ‘valor’. Ela revela seu duplo caráter, o que ela é realmente, quando, como valor, dispõe de uma forma de manifestação própria, diferente da forma natural dela, a forma de valor-de-troca; e ela nunca possui essa forma, isoladamente considerada, mas apenas na relação de valor ou de troca com uma segunda mercadoria diferente”. (p. 68)
  • “A contradição interna, oculta na mercadoria, entre valor-de-uso e valor, patenteia-se, portanto, por meio de uma oposição externa, isto é, através da relação de duas mercadorias, em que uma, aquela cujo valor tem de ser expresso, figura apenas como valor-de-uso, e a outra, aquela na qual o valor é expresso, é considerada mero valor-de-troca. A forma simples do valor de uma mercadoria é, por conseguinte, a forma elementar de manifestar a oposição nela existente, entre valor-de-uso e valor”. (p. 69)
  • “A forma simples de valor da mercadoria é também a forma-mercadoria elementar do produto do trabalho, coincidindo, portanto, o desenvolvimento da forma-mercadoria com o desenvolvimento da forma do valor”. (p. 70)
  • “Não é a troca que regula a magnitude do valor da mercadoria, mas, ao contrário, é a magnitude do valor da mercadoria que regula as relações de troca”. (p. 72)
  • “A realidade do valor das mercadorias só pode ser expressa pela totalidade de suas relações sociais, pois essa realidade nada mais é que a ‘existência social’ delas, tendo a forma do valor, portanto, de possuir validade social reconhecida”. (p. 75)
  • “A forma geral do valor, que torna os produtos do trabalho mera massa de trabalho humano sem diferenciações, mostra, através de sua própria estrutura, que é a expressão social do mundo das mercadorias”. (p. 76)
  • “A mercadoria que figura como equivalente geral, fica excluída da forma relativa do valor unitário e, portanto, geral do mundo das mercadorias”. (p. 77)
  • “Mercadoria determinada, com cuja forma natural se identifica socialmente a forma equivalente, torna-se mercadoria-dinheiro, funciona com dinheiro”. (p. 78)
  • “A forma-mercadoria, isto é, a mercadoria equivalente da forma simples do valor, é o germe da forma dinheiro”. (p. 79)
  • “Desde que os homens, não importa o modo, trabalhem uns para os outros, adquire o trabalho uma forma social”. (p. 80)
  • “A mercadoria é misteriosa simplesmente por encobrir as características sociais do próprio trabalho dos homens, apresentando-as como características materiais e propriedades sociais inerentes aos produtos do trabalho; por ocultar, portanto, a relação social entre os trabalhos individuais dos produtores e o trabalho total, ao refleti-la como relação social existente, à margem deles, entre os produtos do seu próprio trabalho”. (p. 81)
  • “Só com a troca, adquirem os produtos do trabalho, como valores, uma realidade socialmente homogênea, distinta da sua heterogeneidade de objetos úteis, perceptível aos sentidos”. (p. 82)
  • “O que, na prática, interessa aos que trocam os produtos é saber quanto de outras mercadorias podem receber pela sua, em que proporções, portanto, os produtos que se trocam”. (p. 83)
  • “A determinação da quantidade do valor pelo tempo do trabalho é um segredo oculto sob os movimentos visíveis dos valores relativos das mercadorias. Sua descoberta destrói a aparência de casualidade que reveste a determinação das quantidades de valor dos produtos do trabalho, mas não suprime a forma material dessa determinação.” (p. 84)
  • Todo o mistério do mundo das mercadorias, todo sortilégio e magia que enevoam os produtos do trabalho, ao assumirem estes a forma de mercadorias, desaparecem assim que examinamos outras formas de produção”. (p. 85)
  • “De acordo com a relação social de produção que tem validade geral numa sociedade de produtores de mercadorias, estes tratam seus produtos como mercadorias, seus trabalhos particulares, convertidos em trabalho humano homogêneo”. (p. 88)
  • “Fórmulas que pertencem, claramente, a uma formação social em que o processo de produção domina o homem e não o homem o processo de produção, são consideradas pela consciência burguesa uma necessidade tão natural quanto o próprio trabalho produtivo”. (p. 90)

COMENTÁRIOS

Antes de mais nada, deixar claro ao leitor que a escolha das passagens aqui transcritas nada tem a ver com a identificação da estrutura textual do capítulo. O leitor atento perceberá que as notas foram retiradas uma por cada página do capítulo. Uso deste artifício para obter uma visão geral do texto, selecionando de cada página aquela passagem que mais me chamou a atenção.

Ademais, quem quiser mais de Karl Marx pode conferir meu resumo de A mercadoria ou o fichamento de O processo de troca.

Sobre Vinicius Gregory

Sou bacharel e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). Hoje trabalho na área de vendas. Represento a Oceanic, uma marca de cosméticos produzidos pela Racco, sediada em Curitiba/PR. A Oceanic oferece boa margem de lucro na revenda de seus produtos e ótimos incentivos na recomendação de novos consumidores e revendedores. Para criar sua conta na Oceanic e passar a consumir ou revender os produtos, basta acessar o link: http://escritorio.oceanic.com.br/u/vgregory

Discussão

3 comentários sobre “KARL MARX – A mercadoria (FICHAMENTO)

  1. Agradeço pela contribuição, fichamento de qualidade rara.

    Publicado por Brunno | 25 de setembro de 2014, 0:27

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Sou bacharél e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). E agora estou cursando o mestrado, também em história, também na UnB. Desenvolvo minhas pesquisas na área de história da América.

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