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Filosofia da Ciência

Sobre a Observação e a Ciência

Em princípio, eu considero um tanto forçado o recurso retórico de criar uma caricatura do indutivista ingênuo apenas com o fim de criticar alguns de seus pressupostos, mesmo sabendo que quase nenhum cientista hoje adota uma postura semelhante. No entanto, este recurso permite a Alan Chalmers colocar questões interessantes.

Ao criticar a postura do indutivista ingênuo, por exemplo, Chalmers argumenta que a a ciência não começa com a observação e que a observação não produz uma base segura da qual o conhecimento pode ser derivado. O argumento de Chalmers baseia-se em duas premissas. 1) A experiência sofrida pelos observadores ao verem um objeto não é determinada somente pela informação, na forma de raios de luz, penetrando os olhos do observador, nem tampouco é determinada unicamente pelas imagens sobre as retinas de um observador. 2) O que um observador vê, isto é, a experiência visual que um observador tem ao ver um objeto, depende em parte de sua experiência passada, de seu conhecimento, e de suas expectativas (em outras palavras, a observação pressupõe teoria).

Permitam-me questionar os argumentos de Chalmers.

Vejamos a primeira tese: a ciência não começa com a observação. Ambas as premissas apresentadas por Chalmers dizem respeito a como se dá a observação, mas nada dizem sobre como deve começar a ciência. Neste caso, as premissas não suportam a conclusão.

Já a segunda tese, a observação não produz uma base segura da qual o conhecimento pode ser derivado, é defensável a partir das duas premissas apresentadas. Mas eu colocaria outras questões bastante relevantes aqui: existe alguma base segura da qual o conhecimento pode ser derivado (não, “Deus” não conta)? É possível derivar o conhecimento de alguma outra coisa que não a observação (um conhecimento à priori)? E se a resposta a esta última questão for negativa, isso não provaria que a ciência começa sim com a observação?

Chalmers. A. F. “A dependência que a observação tem da teoria”. In: O que é ciência afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993.

Sobre Vinicius Gregory

Sou bacharel e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). Hoje trabalho na área de vendas. Represento a Oceanic, uma marca de cosméticos produzidos pela Racco, sediada em Curitiba/PR. A Oceanic oferece boa margem de lucro na revenda de seus produtos e ótimos incentivos na recomendação de novos consumidores e revendedores. Para criar sua conta na Oceanic e passar a consumir ou revender os produtos, basta acessar o link: http://escritorio.oceanic.com.br/u/vgregory

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Quem sou eu


Sou bacharél e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). E agora estou cursando o mestrado, também em história, também na UnB. Desenvolvo minhas pesquisas na área de história da América.

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