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Filosofia da Ciência

Sobre o Indutivismo

E voltemos à ativa depois de um período de inatividade.

Gostaria de propor hoje uma reflexão sobre o que Alan Chalmers chama de indutivismo ingênuo.

Segundo Chalmers, para o indutivista, a ciência é um conhecimento derivado dos dados da experiência. Assim, a ciência começa com a observação. Com base em uma observação sistemática, o cientista registraria uma grande quantidade de proposições de observação, que nada mais são que afirmações singulares (referem-se a uma ocorrência específica ou um estado de coisas num lugar específico, num tempo específico). A partir desta base observacional, o cientista pode derivar suas leis e teorias, que são afirmações universais (referem-se a todos os eventos de um tipo específico em todos os lugares e todos os tempos).

A pergunta é: mas como podemos justificar a generalização a partir das proposições de observação? Segundo Chalmers, o indutivista ingênuo diria que, desde que algumas condições sejam satisfeitas, é legítimo generalizar a partir de uma lista de proposições de observação para uma lei universal. São essas condições: 1) o número de proposições de observação que forma a base de uma generalização deve ser grande; 2) as observações devem ser repetidas sob uma ampla variedade de condições; e 3) nenhuma proposição de observação deve conflitar com a lei universal derivada.

Apesar de já ter lido este livro algumas vezes, e de já ter lido a Filosofia da Ciência Natural do Hempel (ao qual já me referi algumas vezes), e ter visto outras críticas ao indutivismo, ainda permanece em minha cabeça uma ponta de simpatia pelo indutivismo. No final das contas, ao meu ver, a ciência começa sim com a observação (afinal de contas a constatação de um problema a se resolver ou mesmo de uma curiosidade a ser explicada só é possível depois de alguma observação da realidade). Sim, estou ciente das críticas que dizem que a teoria precede a observação, mas pretendo tratar dessa questão em outro post. Sobre a observação em circunstâncias diversas… ok, faz um certo sentido; assim como as críticas a esse aspecto também fazem sentido (embora, mais uma vez, deixarei a discussão sobre isso para outro post). A condição 3 me parece correta. O falsificacionismo ele mesmo admite essa premissa, embora os termos sejam outros. Por fim, a indução é necessária. Mesmo admitindo que a hipótese precede a observação sistemática (tese do falsificacionismo), ainda assim, não se levanta uma hipótese a partir do vazio. Algum tipo de observação e indução precede o levantamento das hipóteses.

Enfim… o post já está excessivamente extenso. Reflitam sobre o assunto. Falarei um pouco mais de Filosofia da Ciência antes de voltar a falar dos Incas (preciso buscar o livro na biblioteca novamente).

Chalmers. A. F. O que é ciência afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993, pp. 23-35.

Sobre Vinicius Gregory

Sou bacharel e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). Hoje trabalho na área de vendas. Represento a Oceanic, uma marca de cosméticos produzidos pela Racco, sediada em Curitiba/PR. A Oceanic oferece boa margem de lucro na revenda de seus produtos e ótimos incentivos na recomendação de novos consumidores e revendedores. Para criar sua conta na Oceanic e passar a consumir ou revender os produtos, basta acessar o link: http://escritorio.oceanic.com.br/u/vgregory

Discussão

2 comentários sobre “Sobre o Indutivismo

  1. legal veio

    Publicado por mikaela | 2 de março de 2015, 15:52
  2. muito legal a reflexão.

    Publicado por barbara santana | 2 de março de 2015, 15:54

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Quem sou eu


Sou bacharél e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). E agora estou cursando o mestrado, também em história, também na UnB. Desenvolvo minhas pesquisas na área de história da América.

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