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Teoria da História

Sobre o que é a história

Eis um pequeno trecho retirado da introdução d’A Arqueologia do Saber, de Michel Foucault, sobre o qual cabe repousar nossa reflexão.

“Desde que existe uma disciplina como a história, temo-nos servido de documentos, interrogamo-los, interrogamo-nos a seu respeito; indagamo-lhes não apenas o que eles queriam dizer, mas se eles diziam a verdade, e com que direito podiam pretendê-lo, se eram sinceros ou falsificadores, bem informados ou ignorantes, autênticos ou alterados. Mas cada uma dessas questões e toda essa grande inquietude crítica apontavam para um mesmo fim: reconstituir, a partir do que dizem estes documentos, o passado de onde emanam e que se dilui, agora, bem distante deles. […] Por uma mutação que não data de hoje, mas que, sem dúvida, ainda não se concluiu, a história mudou sua posição acerca do documento. […] O documento não é mais, para a história, essa matéria inerte através da qual ela tenta reconstituir o que os homens fizeram ou disseram, o que é passado e o que deixa apenas rastros: ela procura definir, no próprio tecido documental, unidades, conjuntos, séries, relações. […] O documento não é o feliz instrumento de uma história que seria em si mesma, e de pleno direito, memória; a história é, para uma sociedade, uma certa maneira de dar status e elaboração à massa documental de que ela não se separa” [pp. 7-8].

Será que essa mutação um dia chegará a uma conclusão? Quero dizer: será que um dia tanto nós historiadores, como também toda a humanidade, passaremos a pensar na história não mais como uma espécie de memória que temos do passado para lhe atribuir o significado de uma elaboração da massa documental? Me parece improvável. Os novos questionamentos sugeridos por essa nova perspectiva são bastante razoáveis. Porém, apesar dessa elaboração da massa documental, acredito que a história, mesmo sabendo que esta não é mais que uma construção intelectual, jamais se desvencilhará da idéia de narrativa e, portanto, do que os homens fizeram e disseram.

FOUCAULT, Michel. A Arqueologia do Saber. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2009.

Sobre Vinicius Gregory

Sou bacharel e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). Hoje trabalho na área de vendas. Represento a Oceanic, uma marca de cosméticos produzidos pela Racco, sediada em Curitiba/PR. A Oceanic oferece boa margem de lucro na revenda de seus produtos e ótimos incentivos na recomendação de novos consumidores e revendedores. Para criar sua conta na Oceanic e passar a consumir ou revender os produtos, basta acessar o link: http://escritorio.oceanic.com.br/u/vgregory

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Quem sou eu


Sou bacharél e licenciado em história pela Universidade de Brasília (UnB). E agora estou cursando o mestrado, também em história, também na UnB. Desenvolvo minhas pesquisas na área de história da América.

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